Num artigo de 1999 da Harvard Business Review, Peter Drucker dá alguns conselhos sobre a gestão que devemos fazer da nossa carreira. O mestre começa por dizer que se vivia uma época de oportunidades e que, com essas oportunidades, vem também responsabilidade. A responsabilidade de gerirmos a nossa carreira, pois as empresas já não o fazem por nós.
Segundo Drucker, o aspecto-chave da gestão da carreira é o desenvolvimento de um profundo auto-conhecimento, focado nos seguintes aspectos: quais são os meus pontos fortes?; como trabalho melhor?; quais são os meus valores?; onde pertenço? e como posso contribuir?
A identificação dos pontos fortes deve ser feita através da realização de exercícios de feedback. Depois de cada grande decisão, devemos esperar alguns meses para comparar os resultados alcançados com os perspectivados. Assim poderemos perceber que resultados temos maior facilidade em obter, que técnicas/competências necessitamos de desenvolver e que hábitos improdutivos deveremos eliminar para atingir os objectivos desejados. Drucker não defende que devamos tentar desenvolver as competências que não dominamos, mas sim que nos especializemos e desenvolvamos os nossos pontos fortes.
Perceber como trabalhamos melhor implica compreender algumas coisas sobre o nosso funcionamento. Processamos melhor a informação lendo ou assistindo a discussões/debates? Alcançamos melhor os objectivos trabalhando ou equipa ou sozinhos? Conseguimos melhor desempenho tomando decisões ou aconselhando outros? Sentimo-nos confortáveis em ambientes de pressão ou funcionamos melhor em ambientes menos turbulentos?
Conhecer os nossos valores passa por percebemos quais são os nossos princípios éticos e por compreendermos quais são as responsabilidades que consideramos mais importantes na nossa vida. Se a organização onde trabalhamos não partilha os mesmos valores, a nossa carreira embarcará num caminho de frustração e má performance.
Descobrir onde pertencemos começa por, reflectindo sobre os nossos pontos fortes, modo de trabalhar e valores, identificarmos o ambiente de trabalho onde encaixaríamos melhor. Encontrando o sítio certo, um trabalhador médio transforma-se naturalmente num funcionário modelo (de desempenho).
Finalmente, é necessário também assumir a responsabilidade de perceber de que forma poderemos dar um melhor contributo para a organização. Antigamente, as empresas diziam às pessoas o que esperavam delas. Actualmente, temos opções. Para percebermos como podemos ter o melhor impacto no desempenho da organização, devemos começar por analisar os requisitos da situação. Depois disso, e analisando os nossos pontos fortes, modo de trabalhar e valores, identificar de que formas poderemos dar o melhor contributo.
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